Por que Ed Sheeran está sendo boicotado e perdeu até banda após polêmica com Macklemore

Ed Sheeran: entenda tudo sobre a confusão envolvendo o cantor britânico
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Ed Sheeran: entenda tudo sobre a confusão envolvendo o cantor britânico

O cantor britânico de 35 anos vive a maior polêmica da carreira por causa da sua turnê “Loop Tour” nos EUA. Não tem nada a ver com música, mas com política e com a retirada do rapper americano Macklemore do line-up de abertura.

Ed Sheeran: entenda tudo sobre a confusão envolvendo o cantor britânico

Aqui vai o fio completo:

1. O gatilho: o grito de “Free Palestine”

No dia 4 de setembro de 2026, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o rapper Macklemore – que abria o show do Ed – fez um discurso no palco: “Free Palestine”, disse que queria que o povo de Gaza e da Cisjordânia soubesse que não foi esquecido, e tocou a música de protesto dele “Hind’s Hall”. No dia seguinte, repetiu o discurso e acrescentou: “Criticism of Israel is not criticism of you” para os judeus na plateia

A fala gerou uma petição do Israeli American Council pedindo a exclusão dele da turnê e pressão de grupos pró-Israel como StopAntisemitism e Combat Antisemitism Movement

2. A retirada de Macklemore

Na segunda, 15/09, a produtora Messina Touring Group, que cuida da perna americana da turnê, anunciou que Macklemore não faria as 8 datas restantes. O argumento: os donos dos estádios não permitiriam o show com ele no line-up, o que causaria cancelamento da turnê

O nome no centro da pressão foi Robert Kraft, bilionário dono do Gillette Stadium e do New England Patriots. Segundo Macklemore, Kraft ligou para o Ed em uma conversa de 40 minutos e disse que ele e outros donos de estádios da NFL (Arthur Blank, David Tepper, Jeffrey Lurie) consideraram a fala como discurso de ódio e cancelariam os shows se Macklemore continuasse

Kraft depois publicou uma nota dizendo que luta há uma década contra o antissemitismo, que a dor dos palestinos é real, mas que o apoio não deveria vir “às custas da comunidade judaica” e convidou Macklemore para conversar

3. As respostas

Macklemore: publicou um texto de quase 1000 palavras no Instagram no dia 14. Disse: “Eu não sou uma vítima. Ed Sheeran não é uma vítima. As vítimas são os palestinos.“ Confirmou que teve “conversas difíceis” com o Ed e que terminaram em “desacordo fundamental“. Depois anunciou que vai doar US$ 1 milhão – todo o cachê que ganhou na turnê – para 6 organizações que apoiam palestinos, como UNRWA e Palestine Children’s Relief Fund

Ed Sheeran: respondeu no dia 15. Disse que está “chocado com o conflito entre Israel e Palestina” e que a decisão “foi da promotora, não foi minha”, Afirmou: “Não sou cúmplice. Tenho minhas visões pessoais sobre esse conflito devastador. Só porque escolho não falar publicamente, não significa que não as tenho”

 4. A debandada

Depois da fala do Ed, todos os outros artistas de abertura deixaram a turnê em solidariedade ao Macklemore. Finneas (irmão da Billie Eilish), Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda irlandesa Beoga – que além de abrir, toca com o Ed no palco – anunciaram que não vão mais abrir

As justificativas foram políticas:
– Finneas: “Artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão”
– Aaron Rowe:** “Como irlandeses, conhecemos bem até demais genocídio, fome forçada e ocupação violenta”
– Beoga: “Somos irlandeses que entendem colonialismo”
– Lukas Graham: “Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos”

Com isso, Ed perdeu todos os opening acts da Loop Tour, que vai até 11 de dezembro. Finneas, inclusive, abriria os shows de São Paulo em 5 e 6 de dezembro – que seguem confirmados por enquanto

 5. As consequências

A polêmica escalou:
– Uma rádio irlandesa, a Classic Hits Radio, baniu as músicas do Ed da programação após reclamações de ouvintes
– Ingressos para o show da Filadélfia, que marca a retomada da turnê no dia 19/09 sem Macklemore, tiveram queda de 24% e o cantor precisou reforçar a segurança
– Circula até boato falso de que o Spotify teria removido o catálogo dele, o que foi desmentido

A BBC classificou como a maior controvérsia da carreira do Ed. O debate agora é sobre liberdade de expressão de artistas, censura de grandes donos de estádios e a posição de artistas pop sobre a guerra em Gaza.

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