Médica especialista explica doença que matou o sertanejo Marcelo Gasparini aos 54 anos.
O cantor sertanejo Marcelo Gasparini, que fazia dupla com o irmão gêmeo Maurício, morreu na madrugada desta segunda-feira (31/08), aos 54 anos, em Ribeirão Preto (SP). Ele lutava contra uma **Leucemia Mieloide Aguda (LMA)**, diagnosticada em fevereiro deste ano após uma infecção bacteriana.
Durante o tratamento, Marcelo chegou a fazer um transplante de medula óssea, tendo o próprio irmão gêmeo como doador, mas não resistiu às complicações e estava internado desde o início de agosto.

A morte chama atenção para uma doença agressiva e silenciosa. Para explicar o que é a LMA, a onco-hematologista **Mariana Oliveira**, da Oncoclínicas, esclareceu as principais dúvidas.
O que é a Leucemia Mieloide Aguda?
De acordo com a médica, a leucemia é um câncer que afeta as células que produzem o sangue na medula óssea.
“Estas mutações fazem com que a célula hematopoiética passe a produzir uma grande quantidade de células anormais, que não conseguem amadurecer e desempenhar sua função normalmente, ocupando a medula óssea e impedindo que células normais sejam produzidas”, explica.
A leucemia é dividida em mieloide e linfoide, e em aguda ou crônica, conforme a velocidade. A LMA, que vitimou Marcelo, é o tipo mais comum de leucemia aguda em adultos e a incidência aumenta com a idade, principalmente após os 65 anos, embora possa atingir mais jovens como ele.
Segundo o INCA, são estimados 12.220 novos casos de leucemia por ano no Brasil no triênio 2026-2028.
Leucemia é hereditária? Tem prevenção?
Embora envolva alterações genéticas, a doença não é considerada hereditária na maioria dos casos.
“Infelizmente, não existe uma forma de prevenção. Porém, é importante estar atento e procurar um médico sempre que tiver algum dos sintomas. Assim, será possível fazer os exames diagnósticos com rapidez e escolher o tratamento mais adequado”, afirma Mariana.
Alguns fatores aumentam o risco: exposição a produtos químicos com benzeno, níveis elevados de radiação e algumas doenças genéticas.
### Quais são os sintomas que Marcelo teve?
Nas leucemias agudas, os sintomas estão ligados à queda na produção de células normais:
*Por falta de glóbulos vermelhos:** palidez, cansaço extremo e sonolência, consequência da anemia
*Por falta de plaquetas:** manchas roxas sem motivo, pontinhos vermelhos na pele e sangramentos prolongados mesmo em ferimentos leves
*Por falta de glóbulos brancos:** infecções constantes, febre que não passa, já que a imunidade cai
*Outros:** dores ósseas e nas articulações, dor de cabeça, vômitos e perda de peso sem explicação
Foi justamente após uma infecção bacteriana que Marcelo descobriu a doença, um sinal clássico da queda de imunidade.
Como é feito o diagnóstico?
A investigação começa com um hemograma simples, mas a confirmação exige análise da medula óssea com exames como mielograma, biópsia, imunofenotipagem e cariótipo. Esses testes definem o subtipo e o risco da doença.
Todo paciente precisa de transplante?
Não. Apesar de Marcelo ter precisado, o transplante não é obrigatório para todos.
“Isso dependerá de cada caso. Como existem muitos tipos de leucócitos, temos também diversos tipos de leucemias”, explica a médica.
Nas formas agudas, o tratamento envolve internação e quimioterapia intensiva. Em alguns casos, o transplante de células-tronco é indicado. Nas crônicas, muitas vezes o controle é feito apenas com remédios.
Entre os avanços, está a terapia **CAR-T Cell**, onde as células de defesa do próprio paciente são modificadas em laboratório para reconhecer e destruir o câncer.
“Temos que lembrar que os avanços nos tratamentos tiveram um salto importantíssimo. Os tratamentos são eficazes para oferecer uma maior expectativa e qualidade de vida. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental”, finaliza a especialista.
Marcelo Gasparini deixa o irmão gêmeo Maurício, que é vereador em Ribeirão Preto, filho do ex-prefeito Welson Gasparini, além de esposa e um filho.